domingo, 20 de julho de 2008

PAIXÃO POR COMER






Tudo começou há muito tempo atrás, quando eu ainda era chamada de “Bulinha” devido minha aparência mais rechonchuda, ou seja, “Bolinha”. Desde criança gostava muito de comer de tudo, mas, claro, eu tinha meus pratos preferidos. Arroz com ovo esfareladinho, mexido com farinha, sopa de frango da vovó Joana com macarrão de letrinhas, mingau de fubá, de maizena com chocolate, de aveia com canela e pedaços de queijo derretido, pé de moleque de leite condensado, bolo prestígio da mãe da Ciça, cujos pedacinhos vinham molhados, embrulhados no papel alumínio e eram servidos gelados. Biscoitinhos “um dois três”, “speculaas”, pastel de nata de Sabará, entre outras receitas inesquecíveis... Realmente, o cheiro e o sabor marcam a infância pelo resto da vida. E até hoje algumas das minhas comidas de criança estão na lista das minhas favoritas.

Minha paixão por comer existe desde que eu me entendo por gente, mas a por cozinhar é recente. Só se concretizou mesmo após o meu casamento, quando descobri na culinária a melhor maneira de reunir pessoas na minha casa.

Minha mãe nos educou, cultivando entre nós, o ritual da mesa. Eu, minhas irmãs, meus pais, minha avó materna e outros familiares, todos os domingos, nos encontrávamos em uma mesa com dezesseis lugares, onde eram servidas comidas ricas em sabor e vitaminas, uma grande fartura de verduras, legumes e frutas, muitos deles crescidos ali mesmo, na terra de nosso sítio. Nossos pratos ficavam bastante coloridos, devido à variedade de alimentos. E minha mãe exigia a presença de todos naquela mesa.

Depois de nos darmos por satisfeitos, nosso hábito era ir assistir um filme, desculpa para um cochilo. Já essa parte era liderada pelo papai, cinéfilo de carteirinha. E logo depois da sessão de cinema, a mesa já estava posta novamente. Broa de fubá, bolo formigueiro, doce de leite do Zé, rosca caseira, queijo e café, como toda boa mesa mineira. O motivo era não deixar dispersar a família.

Lá em casa, eu queria fazer o mesmo que minha mãe. Cozinhar se tornou primeiramente necessário, depois um prazer e, hoje, posso chamar de minha terapia. Entre bolos confeitados, “goulach”, biscoito três farinhas, arroz com pato e macarrão à bolonhesa, faço da cozinha meu descanso, minha distração, meu lazer. E também um espaço de criação, um laboratório de delícias da gula. Erros e acertos, surpresas, recriar um sabor já experimentado, aproveitar os alimentos para não haver desperdício, tudo isso faz parte do desafio, da motivação.

É divertido passar as horas amassando massa, me sujando de farinha, variando temperos, provando misturas, descobrindo a química dos alimentos, testando receitas. E depois, dividir as minhas descobertas com o meu marido, meus amigos e a minha família. Essa parte é a mais curiosa, as reações, os gostos, as opiniões. E quando eu consigo agradar aos mais diversos paladares, a todos ao mesmo tempo, é quando eles provam o INTANGÍVEL, o famoso ingrediente a base de AMOR E CARINHO.

5 comentários:

Anônimo disse...

Comer é a melhor coisa do mundo... Mas comer algo especial, elaborado com todo este carinho, não tem como explicar... Por isso, as boas lembranças! Continue assim, nos contagiando com suas lindas estórias, e mais, com seus excelentes dotes!!! Até breve, e, de preferência, com uma linda mesa, reunindo todas as pessoas que lhes são queridas!
Beijos, Quel

Anônimo disse...

Esse texto me fez lembrar do quibe que meu pai fazia, do homus da minha avó, da parmegiana da minha mãe, do seu purê de berinjela e de muitas outras delícias que, por enquanto, não posso me deliciar mas assim que puder, vou querer todas!
beijos...Renata

Anônimo disse...

Tchuca, to com muita saudade de você ... volta logo do Chile ... Bjs Dinhoco

Anônimo disse...

Lozinha, seu texto me deu água na boca... que saudade do pastel de nata de Sabará e dos lanches na casa da sua vó querida.
Beijinhos
Flavia

Anônimo disse...

Amei o texto...
Me fez recordar tambem da minha infância
Mil beijos
"Laurinda"